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Presidente da República associa-se à Caminhada que é parte do programa, em Lisboa, da Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza.

Uma iniciativa dos fundadores da Impossible – Passionate Happenings, que já se repete há 20 anos, na cidade de Lisboa, coorganizada, em parceria, com o fundamental e generoso compromisso da CM de Lisboa, do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo (NPISA), da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), da Sumo Portugal, da Lusitânia Seguros Juntos, da ICA, e de outras instituições e empresas, traz à atenção do público em geral a Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza.
 

São ainda visíveis em Portugal, nas pessoas, nas famílias, nas empresas, nas organizações, e no meio à nossa volta, os efeitos da crise económico-financeira de 2007. E estando longe de vermos resolvida a crise sanitária destes últimos dois anos, o país, como, o resto do mundo, sofre os graves impactos de uma guerra que tem acentuado ainda mais a nossa fragilidade. A atual inflação, o crescente aumento do custo de vida (numa mistura de especulação em todas as áreas) têm-nos aproximado sempre mais de um abismo que coloca a nu a riqueza que não possuímos, que não temos sido capazes de produzir, e a nossa persistente-indigência-de-
Estado- de-mão-estendida, dentro e fora da Europa. A solidariedade europeia não pode servir para infantilizar o país, a nossa economia e vida em sociedade.

 

Por estes dias, o Orçamento Geral do Estado, as negociações com os parceiros sociais, ainda que positivas, não se cansam de revelar, infelizmente, como a nossa pobreza nos obriga a uma política de violação de leis que deveriam defender os mais pobres: gente que trabalha, mas que não consegue viver autonomamente, os idosos com baixas reformas, os jovens que continuam a não ter futuro por cá, as crianças que passam fome, desacompanhadas. “Portugal é um país fantástico”, ouvimo-lo dizer repetidamente aos turistas, que nos visitam, mas uma nação fora do alcance da grande maioria dos portugueses.

 

Dados do INE, nunca atualizados ao minuto, como na Bolsa, revelam que, em 2020, Portugal tinha 2,3 milhões de residentes em risco de pobreza (22,4% da população). Aumentou e agrava-se a privação material e social, a desigualdade, e neste quadro, as mulheres e a mulheres idosas continuam a ser as suas principais vítimas.

 

A população em situação de sem abrigo torna a ganhar maior visibilidade nas ruas, não só de Lisboa, Porto, Coimbra ou Faro, mas de cidades do interior, como Beja, Évora, Viseu, Castelo Branco, Braga e outras onde esta realidade nunca tinha sido tão notada. Quisemos retirar da rua, até 2023, todas as pessoas a viver nesta situação, e a Europa ainda deseja diminuir em 15 milhões, até 2030, o número de pobres no continente. Mas como estas, assim outras boas intenções não conseguem simples e repetidamente sair do papel.

 

O trabalho, quer se goste ou não, continua a ser a grande ferramenta capaz de garantir razoáveis níveis de bem-estar a todos. Mas mais do que “um direito”, o trabalho terá de ser entendido como “dever de cada um”, participação, cidadania. Terá de ser profissionalizado e profissionalizante e justamente remunerado. O direito ao cumprimento do dever do trabalho é um urgente caminho que não pode dispensar ninguém. As organizações e empresas não podem institucionalizar a pobreza e os pobres. Sair da nossa situação de pobreza exige vontade, compromisso pessoal, familiar, nacional, e um outro tipo de educação e escola. Trabalhar não é, não pode ser, esmolar, como também não pode ser sujeição, exploração, abuso, servidão de milhares de portugueses e migrantes. A troco do salário mínimo nacional, a classe média vai deixando de existir em Portugal.

 

Estas, como outras tantas razões, justificam e estão por detrás do programa que a celebração da Jornada Internacional pela Erradicação da Pobreza entende viver este ano. Não é nosso propósito elencar aqui o que nos orgulha, as conquistas entre a tempestade dos dias, mas este é um programa que entende ser um hino à alegria, ao otimismo, à coragem de pensarmos e de nos imaginarmos de forma diferente.


Atividades ao ar Livre, uma Caminhada e um momento Memoria e Compromisso, sem esquecermos a guerra na Ucrânia, e a necessidade urgente de conseguirmos Justiça e Paz para TODOS, reúnem, durante a manhã, no Parque Eduardo VII, junto ao Marquês de Pombal, pessoas em situação de pobreza, exclusão social e sem abrigo, às quais se juntará o Senhor Presidente da Republica, pelas 15 horas, depois do almoço, para dar o ponto de partida de uma Caminhada que conduzirá os participantes, por uma lateral da avenida da Liberdade, até à rua Augusta, junto ao arco, onde, em 1994, precisamente no dia 17 de outubro, foi colocada uma laje preta no chão, réplica da que está no Trocadero de Paris, nascida da indignação de mais de 100 mil pessoas, que no dia 17 de outubro de 1987, disseram não à miséria.

 

Esta é uma jornada por, com e a favor de quem está numa situação de carência a vários níveis, mas é também um momento totalmente aberto ao público que deseje juntar-se e estar ao lado dos seus participantes. De facto, é seu mote ou lema “NÃO CORRAS COMIGO, MAS AO MEU LADO - dito ao Estado, às empresas, às instituições públicas e particulares, às famílias, a cada um individualmente.


“Na Rua” faz as peças de comunicação deste dia. Tema de uma canção composta e escrita a pensar nesta efeméride, NA Rua aborda a dura realidade de quem tem por casa o “estar ao relento”, mas também a eterna busca de um acolhedor e seguro “ventre de mãe”, contida em cada desejo de felicidade.