POR UMA NOVA ECONOMIA

Porque Viver é Dignidade de Todos

21 de março 2020 | Auditório do ISEG (Lisboa) | 9h-18h

Intrínseca à realidade do mundo, uma fratura, que insistente e perenemente questiona e subverte qualquer visão do mundo, e toda a prática que delas resulte. Este o universal, o absoluto contingente que impede que os terrestres se tenham por partes, e que um hipotético todo se possa corretamente decidir a partir da diversidade dos seres. Nesta impossibilidade, que é nossa essência e verdade, “viver” talvez seja o único interesse e “dignidade” de todos, e o que, como um ethos, se impõe como relação entre organismos, e mantém afastada a ameaça do extermínio coletivo.

Esta a cisão subjacente à afirmação, “os pobres sempre os tendes convosco” (Jo.12,8), ao condenar a um contínuo fracasso, a produção de infindáveis estratégias, determinadas a acabar com toda e qualquer assimetria. Também esta, muito provavelmente, a razão por que o vivere sine proprio de Francisco de Assis, ou o da vida fora do Direito, se tornou impossível, e a Justiça para todos, inscrita na esperança que atravessa os tempos, se deixe apenas imaginar, como possibilidade, com a emergência de um quarto mundo, a partir do nada, tal como o concebe o materialismo especulativo de Quentin Meillassoux.

Neste contexto, pensar a Economia atual, no encalço do Encontro que em Assis tem por tema Economia de Francisco (26-28 março 2020), nunca poderá ser um exercício da vontade, ideológico ou capricho de alguém, mas clamor, dor, desconforto, luta, conflito, que emerge, sem dono, das entranhas fraturadas do “viver” entre terrestres, para o interrogar, incomodar, transformar.

Henrique Pinto - Impossible Passionate Happenings

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